No distrito de Palma, produção de arroz perde espaço para a soja em meio a custos elevados e baixo retorno

No distrito de Palma, produção de arroz perde espaço para a soja em meio a custos elevados e baixo retorno

Foto: Rian Lacerda (Diário)

O Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 70% da produção nacional, registra redução na área plantada de arroz diante de custos elevados e dificuldades no setor

O arroz é presença obrigatória no prato dos brasileiros, e o Rio Grande do Sul é o protagonista absoluto dessa produção, respondendo por cerca de 70% de todo o cereal cultivado no país. No entanto, o cenário para quem produz é de dificuldade, e a produção vem perdendo espaço para o plantio da soja. De acordo com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a área semeada no Estado encolheu 8,06% neste ano, caindo de 920 mil para 892 mil hectares. O cenário reflete as dificuldades de acesso ao crédito e o aumento dos custos operacionais, realidade sentida no distrito de Palma, em Santa Maria, onde o cereal perde cada vez mais espaço.

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O produtor Gerson Bianchin, 57 anos, que cultiva o grão há quatro décadas, já vive a realidade de plantar menos arroz a cada nova safra. Neste ano, ele enfrenta uma queda de 10% na produtividade em relação ao ano anterior.


– Eu planto aqui no distrito da Palma desde os 18 anos. Já estamos completando quase 40 anos de plantio de arroz. A produtividade, agora, está um pouco abaixo do ano passado, diminuiu uns 10% devido à baixa luminosidade durante o período vegetativo e reprodutivo – relata Bianchin.


Impacto no lucro

O agricultor Gerson Bianchin, 57 anos, do Distrito de Palma, em Santa Maria, aponta redução de 10% na produtividade e impacto do diesel no custo da lavoura: “O lucro vai ficar de margem mínima”.Foto: Rian Lacerda (Diário)

Além dos custos altos para o plantio do arroz, o diesel vem levando produtores a ter que utilizar a calculadora para enfrentar a crise que vive a distribuição no Brasil após a guerra entre Estados Unidos e Israel conta o Irã. A principal preocupação nas lavouras é a disparidade entre o preço de venda do grão e o custo atual do combustível. Em alguns postos de Santa Maria, chegou a custar R$ 7,99.


Bianchin destaca que o impacto do diesel no faturamento bruto saltou de 5% para 15% após a queda, pela metade, no valor da saca de arroz. Apesar da dificuldade de se conseguir diesel no modelo Transportador Revendedor Retalhista (TRR), o produtor conseguiu comprar antes da escala da guerra a um valor de R$5,40 


– O arroz antes era R$ 100 e o diesel era R$ 5,30, impactava 5% no faturamento bruto. O arroz baixou para 50 e o diesel subiu; agora o impacto no custo deve estar em 15%. Vejo relatos de colegas que nem conseguem comprar diesel. Tem que buscar de mil a 2 mil litros no posto, não tem aquela entrega que o caminhão traz uma carga para a colheita – detalha o produtor.

Foto: Rian Lacerda (Diário)

​Com a saca cotada em torno de R$ 58 na segunda-feira (23), a conta para manter a lavoura ativa é apertada. 

– O custo ainda vai cobrir, mas o lucro vai ficar de margem mínima. É só para manter o que tem. Eu estou produzindo aqui ainda porque tenho secagem e armazenagem própria, porque senão eu já tinha parado – afirma.

Gerson Bianchin afirma que vem diminuindo a área cultivada e projeta ampliar o plantio de soja.Foto: Rian Lacerda (Diário)

Com a baixa rentabilidade, a migração para outras culturas tem sido o caminho adotado por muitos produtores gaúchos. A reportagem já havia conversado com outro produtor na semana passada que falava a mesma situação quanto ao plantio do arroz ser cada vez menos atrativa em relação ao custo e o lucro. De acordo com dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o plantio nas seis regiões produtoras do estado registrou quedas que variam entre 4% e 11% na colheita deste ano.


– Eu já venho diminuindo a área. Trabalhava com 140 hectares de arroz e hoje são 100. Dependendo do preço da próxima safra, vou diminuir mais o arroz e plantar mais soja. Todo produtor deve pensar em diminuir um pouco para termos melhor preço, por causa da oferta e demanda.


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